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Pistoleiro contratado para matar prefeito de Paranhos recebeu só 25% porque não conclui serviço


Esta postagem foi publicada em 20 de junho de 2018 Carrossel de Notícias Topo, Política.

Dirceu Bettoni foi alvo de atentado quando chegava em sua casa. (Foto: Prefeitura de Paranhos/Divulgação)

Ele receberia R$ 20 mil, mas ficou apenas com R$ 5 mil, pagos antes do crime, que aconteceu na quinta-feira

Geisy Garnes

Gabriel Queiroz, de 26 anos, contratado para matar o prefeito de Paranhos, Dirceu Bettoni (PSDB), afirmou à polícia que não recebeu o valor combinado por não ter conseguido “concluir o serviço”. Ele receberia R$ 20 mil, mas ficou apenas com R$ 5 mil, pagos antes do crime por um intermediário do mandante da execução.

O crime aconteceu na noite de quinta-feira (14) e Gabriel acabou preso por policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) no sábado (17), enquanto tentava fugir para Campo Grande com a mulher, Djuly Priscilla Couto, de 28 anos.

Em depoimento, disse que trabalhava como auxiliar de enfermagem em Campo Grande, mas há dois anos se envolveu com o contrabando de cigarro e chegou a “puxar” a mercadoria do Paraguai para o Brasil.

Segundo ele, foi nessa época que conheceu o contratante do crime, identificado como Cláudio, um vendedor de cigarros paraguaiso na região de Salto del Guairá. A proposta para matar o prefeito veio no começo do mês, por WhatsApp, garante. Por mensagem, o suspeito ofereceu o “serviço” a Gabriel que aceitou, com a promessa de receber R$ 20 mil.

No dia 10 de junho, ele viajou para a fronteira com a esposa. Em Sete Quedas encontrou Jomar Lemes, funcionário do mandante do crime. Em uma Fiat Strada vermelha, o suspeito levou Gabriel até a casa do prefeito e pelo celular, mostrou a foto de Bettoni, segundo o autor, sem falar o nome do alvo. Com o “negócio fechado”, o pistoleiro recebeu R$ 5 mil antecipado.

O dinheiro foi depositado por Cláudio e usado por Gabriel na compra da moto usada no crime. Ele alegou ter pago R$ 1,5 mil no veículo, mas contou que a moto acabou apresentando problemas mecânicos e por isso precisou voltar na oficina para trocou a motocicleta.

Na noite do dia 14 de junho, o pistoleiro foi até Paranhos e viu o momento em que o prefeito chegou em casa com a caminhonete Hilux. Ele então virou a esquina, estacionou a moto e voltou a pé. Em depoimento, ele afirmou que se aproximou, abriu a porta do veículo e se deparou com a vítima ainda na caminhonete.

Assustado, o prefeito teria chutado o autor, que disparou várias vezes. Gabriel lembrou que estava com dois revólveres, um calibre 38 e um 32. Sacou primeiro o revólver calibre 32, descarregou a arma, guardou no casaco e pegou a 38, fez novos disparos e fugiu. Bettoni foi atingido por quatro tiros e foi socorrido ao Hospital do Coração de Dourados.

Depois do crime, o autor abandonou a moto e esperou a mulher em um bar. Gabriel contou que após fugir de Paranhos foi até a casa de Cláudio, em Salto del Guairá. Lá, o cigarreiro ligou para o mandante do crime e foi informado que não depositária os R$ 15 mil, já que o pistoleiro “não havia conseguido matar o prefeito”.

Sem receber o dinheiro, o casal tentou voltar para Campo Grande e acabou abordado na BR-163, próximo a Rio Brilhante. Com a prisão preventiva já decretada, Gabriel foi enviado a Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o presídio de segurança máxima de Campo Grande e Djluy para o Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, ambos na Capital.

Gabriel foi preso em flagrante no sábado (Foto: Divulgação)

Gabriel foi preso em flagrante no sábado (Foto: Divulgação)

O mandante – Conforme apurado pelo Campo Grande News, o mandante do crime seria um brasileiro, morador do Paraguai, conhecido como “Treme Terra”.

A motivação para a tentativa de execução não foi confirmada pela polícia, mas informações apontam que a causa foi um desacordo na venda de uma fazenda em território Paraguai. Dirceu Bettoni teria vendido a propriedade ao suspeito, que não pagou o valor combinado no negócio.

Para tentar reaver as terras, o prefeito de Paranhos entrou com uma ação na justiça paraguaia. A ligação entre “Treme Terra” e o crime, teria sido confirmado por Jomar Lemes, que acabou assassinado a tiros na tarde de domingo (17), logo após prestar depoimento e deixar a Delegacia de Polícia Civil da cidade.

No meio do ano passado, o suspeito foi apontado pela polícia Paraguaia como o proprietário de uma fazenda de plantação de maconha, na cidade de Itanará. No local foram encontrados 15 hectares da planta, já pronta para colheita. O caso é investigado em segredo de justiça.

Campo Grande News

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