Facebook Twitter Google+ email



Assédio, motel e falta de respeito: os perrengues de quem mora sozinha


Esta postagem foi publicada em 3 de setembro de 2018 Entretenimento Inicial 3, Slide Topo.

Simone Valente: vizinhas rotulam quem mora sozinha de infelizImagem: Arquivo pessoal

Assédio, motel e falta de respeito: os perrengues de quem mora sozinha

Roseane Santos

Colaboração para Universa

A mulher consegue sua independência financeira e resolve ter um espaço só seu, sem precisar dar satisfação a ninguém e ser dona do seu nariz. Um conto de fadas moderno, em que não espera o príncipe encantado: resolve casar com si mesma. Mas tanta liberdade tem um porém – o preconceito. Muitos homens que tenham sido convidados ou não para entrar cometem pequenos abusos quando percebem a ausência de um homem da casa. Veja histórias de mulheres que resolveram se impor e enfrentar os obstáculos que tornam o fato de morar só uma aventura.

Paqueras

“Quando eu fui morar sozinha, percebi que alguns casinhos adoravam essa novidade só para ficar na minha casa. O problema é que nunca assumiam o namoro. Agora, comecei a falar que não moro mais só, para ver o que acontece. Resultado: as paqueras não evoluem. Alguns homens não querem ter gastos recorrentes com motel.”, Luciana Motta, webdesigner, 37 anos.

Tinha um amigo que freqüentava muito a casa dos meus pais. Já até rolou uma paquera entre a gente, mas bem no passado. A história não foi adiante e passou tanto tempo que até esqueci. Conheci namoradas dele e ele também acompanhou também alguns namoros meus. Afinal, morava muito perto da minha família e no subúrbio as pessoas costumam ser unidas. Quando fui morar sozinha, ele me ligou perguntando se eu precisava de alguma ajuda. Falei que não. Ele disse que estava curioso para conhecer minha casa, afinal me conheceu bem nova e isso era um sinal de sucesso, conseguir comprar um apartamento. Eu levei na boa e falei que a casa estaria sempre aberta para os amigos. Ele foi me visitar, chegou com um vinho na mão e veio direto me agarrando cheio de amor para dar. Quando disse não, ficou espantado. ‘Ué, você não queria isso? Por que me convidou, então?’”, E.S., relações públicas, 42 anos

Estereótipo

“Uma vizinha realizava festas durante a semana, até as 4h da manhã. Juntamos quatro vizinhos e reclamamos dela, que foi multada, após as advertências. Ela escreveu uma carta para todos os vizinhos, dizendo que cada um tinha seus problemas: um deles tinha um cachorro insuportável, o outro tinha crianças barulhentas, outro tinha uma moto de arranque, outro tinha um papagaio, outro punha o som alto e eu era uma pessoa sozinha, sem filhos, então, que qualquer barulhinho me incomodaria porque eu devia ser muito infeliz”, Simone Valente, jornalista, 44 anos.

Prestadores de serviços

“Quando realmente é necessário chamar técnico de TV a cabo ou telefonia, peço sempre a uma amiga, amigo ou vizinho para estar comigo esperando, pois já soube de diversos casos de mulheres que foram agarradas. Eu tive uma situação delicada com um técnico que me fez subir escadas para olhar um cano pela janela. Quando já tinha subido, percebi que a intenção dele era apenas olhar minha bunda. Desde então, nunca mais recebi técnicos sozinha.” Graça Paes, fotógrafa, 47 anos.

Assédio sexual

“Meu vizinho ficava me olhando pela janela. Já era um senhor, deveria ter mais de 70 anos e cismou comigo. Depois de falar muitas gracinhas, ele chegou ao ponto de tentar arrombar a porta do meu apartamento. Chamei a polícia e ele ficou se fazendo de maluco. A coisa só melhorou depois que comecei a namorar e o meu namorado passou de moto na rua perto dele: assim ele viu que eu não estava tão sozinha quanto pensava”, L.H., secretária, 38 anos.

Quando falta o respeito

“Certa vez, eu briguei com meu namorado e ficamos uns tempos separados. Arrumei um paquera e o convidei para visitar meu apartamento. Ele acabou dormindo lá. No dia seguinte, eu passei pela portaria e os funcionários do prédio me olhavam de forma estranha. Passou algum tempo, eu estava no meio da rua e levei um susto com um homem me abraçando pelas costas. Virei e vi que era um dos porteiros do meu prédio. Eu dei um ataque e falei que nunca tinha dado aquela liberdade a ele. Agora me tornei a bruxa do prédio. Faço questão de ser antipática mesmo e não estou nem aí”, Joseane Alves, publicitária, 32 anos.

Vaga na garagem

“Logo que fui morar sozinha, fiquei em um prédio com muitos apartamentos e que sempre tinha confusão com vagas de garagem. As vagas pertenciam ao condomínio e os moradores tinham que alugar. Ninguém tinha vaga na escritura. Eu consegui alugar uma vaga para colocar meu carro. Certo dia, estava em casa e recebi um recado malcriado através do porteiro. O vizinho pedia que eu retirasse meu carro de lá, caso não tirasse, ele iria tacar meu carro na parede. Não entendi nada. Descobri que quem estava errado era um morador novo, que achou que poderia chegar e ocupar vaga sem precisar comunicar a ninguém. Só que meu vizinho estressado preferiu arrumar briga comigo, que não tinha nada a ver com o assunto, do que com outro homem. Pensou que eu ficaria com medo e tudo seria resolvido. Desci, coloquei meu carro de um jeito que ninguém conseguia tirar, puxei o freio de mão e coloquei com um bilhete: ‘Daqui não saio, daqui ninguém me tira’. Eu ia de ônibus trabalhar até que os porteiros convenceram o novo morador a tirar o carro da vaga” , S. D., funcionária pública.

Invasão de privacidade

Conheci um cara pela internet há uns seis anos. No início, foi um conto de fadas. Era tão perfeito que até não acreditei. Ele morava com um amigo próximo do meu bairro e quando fizemos dois meses de namoro, começou a falar que o amigo dele estava de casamento marcado e logo precisaria ver outro canto para ele morar. Não me manifestei, porque era pouco tempo de relacionamento para dividir o mesmo espaço. Ele então usou a estratégia de ir ficando aos poucos na minha casa. Um dia, ligou e perguntou se poderia dormir lá, porque não estava se sentindo muito bem. Resumindo, ele levou um ano para sair do meu apartamento. Começou de maneira azoável, mas depois nem colaborava com as despesas. Inventava sempre uma desculpa. Descobri que ele tinha uma amante e o que queria morar de graça para sobrar dinheiro e ficar desfilando com ela, enquanto eu trabalhava. Fiz o tradicional barraco, coloquei ele para fora e troquei a fechadura. L.P.S., professora, 38 anos.

Facebook Twitter Google+ linkedin email More

Nenhuma banner para exibir

Notícias em Destaque